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Expansão de data centers encara vários desafios estruturais


Marcello Sigwalt

Alta carga tributária; complexidade e morosidade em licenciamentos e na implantação de conexões à rede elétrica; custo elevado de energia, além de entraves regulatórios e insegurança jurídica para investimentos.

Estes são alguns dos principais desafios a serem enfrentados, nos próximos anos, tendo em vista a  implantação dos data centers, mas também demanda soluções na infraestrutura de transporte, logística de equipamentos, especulação imobiliária e o uso de água para resfriamento.

O diagnóstico foi divulgado pelo site Forbes Brasil e pelo Portal da Câmara dos Deputados, que não abordou outra barreira, de natureza política (ainda não equacionada), como a decisão de responsabilizar as chamadas big techs (Amazon, Microsoft e Google), por fake news ou crimes praticados nas redes sociais, o que motivou a decretação, em agosto último, do ‘tarifaço’ de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, pelo presidente Donald Trump.

Forte expansão – No contexto brasileiro, porém, os data centers apresentam ritmo de forte expansão, a reboque, tanto da crescente demanda por serviços digitais, quanto da disseminação da inteligência artificial. Já em posição de liderança na América Latina (entre 670 e 800 MW de capacidade instalada, de 170 a 189 unidades), esse mercado deverá dobrar sua capacidade no país até 2030, por meio da atração de investimentos de grandes empresas, mas também pela decisão federal de tornar o Brasil um ‘polo mundial para armazenamento de dados, com ênfase em sustentabilidade, uso de energia renovável e desoneração fiscal para equipamentos. A exemplo da exorbitante carga tributária (que beira 34% do PIB), tal peso também está presente sobre os equipamentos de TI, implicando custo elevado para o serviço de nuvem.

MP – Como resposta as barreiras mencionadas, o atual mandatário assinou, em meados de setembro, a Medida Provisória (MP) que cria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center no Brasil), pelo qual as empresas beneficiadas destinarão 2% de seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento em cadeias produtivas digitais no país, além de cumprir exigências de sustentabilidade, como o uso de energia renovável ou limpa e eficiência hídrica e aplicação de 10% de seus serviços para o mercado interno.

PLOA – Na verdade, o Redata, na qualidade de integrante da Política Nacional de Data Centers (PNDC), vinculada à Nova Indústria Brasil (NIB), Missão 4 (Transformação Digital), visa ‘turbinar o crescimento nacional em áreas estratégicas da Indústria 4.0, tais como computação em nuvem, inteligência artificial, 'smart factores' e Internet das Coisas, ampliando, assim, a capacidade brasileira de armazenagem, processamento e gestão de dados. No texto do Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA), o governo federal reservou R$ 5,2 bilhões ao Redata, e deve contar, a partir de 2027, com os benefícios da Reforma Tributária.

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