‘Freio’ na atividade econômica atinge energia eólica 

              

                  Agência Brasil


Marcello Sigwalt

Após descrever rápida expansão do contingente de consumidores e sobreoferta do insumo, ante a perspectiva de arrancada econômica nos próximos anos, o setor de energia eólica foi obrigado a ‘reduzir a velocidade’, devido ao ‘tombo’ de 31,25% no número de instalação de usinas em 2024 (3,3 GW),  ante o ano anterior, aponta estudo da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

No auge da crise, houve demissões em massa, decorrentes de cortes de produção (como é o caso da Vestas) e a interrupção de operações de grandes aerogeradores (GE Renewable Energy e Siemens Gamesa). Entre os fatores que formam o diagnóstico adverso, destaque para a sobressaturação do mercado; falta de contratos; apreciação cambial (que encareceu o custo dos investimentos); sem contar com a já citada queda do volume instalado, carreando demissões em massa, que somaram mais de 11 mil empregos (diretos e indiretos) perdidos.   

Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), em 2024, 15,5% da energia do país vinha da matriz eólica, bem atrás da hidrelétrica, com 61,6% do total. Hoje, o Brasil possui 1.143 parques eólicos, correspondentes a 11.990 aerogeradores operando em 12 estados.

Ao avaliar o quadro atual, a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum, afirma que “a falta de venda de energia eólica em contrato tem um impacto muito grande, maior até do que outras fontes. A solar, por exemplo, ela é toda importada da China, então se eu não instalo o parque solar, eu só vou deixar de importar".

Como 80% de sua cadeia produtiva é nacional, Elbia explica que a queda nas contratações de energia eólica afeta diretamente a indústria e o emprego locais. “Se a fábrica não contrata, ela começa a demitir trabalhadores e foi o que aconteceu em algumas fábricas, inclusive”, comenta a executiva, ao admitir, ainda, que o baixo ritmo da economia foi determinante para a baixa de demanda, pois a energia acompanha o crescimento do PIB.

Outro vetor que influenciou de retração do segmento, completa a dirigente, seria o surgimento de uma nova categoria de geração eólica, a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), mais conhecida como “energia de telhado”, gerada por painéis solares instalados em casas e empresas de consumidores. A MMGD ganhou impulso, nos últimos anos, graças a incentivos financeiros, oferecidos pelos operadores aos consumidores, sobretudo após a aprovação do marco legal, em 2022.

“E aí essa demanda por energia, que era do mercado como um todo, foi reduzida porque os donos das residências começaram a instalar a própria energia e eles não contrataram essa energia no mercado”, observa Elbia. Em outras palavras, como o painel solar consome menos da rede elétrica, a opção eólica perde espaço na preferência do mercado.

Retomada está condicionada aos data centers

Em que pese a crise vivida pelo setor eólico, a partir de 2025, há sinais de retomada consistente, mais lenta, de demanda por contratações, por parte de data centers de inteligência artificial. Levando em conta o fato de que a implantação de parques eólicos é de médio prazo, a expectativa é de que apenas quando estes entrarem em operação, daqui a dois anos, é que seus efeitos econômicos se tornarão mais perceptíveis.

“Começamos a perceber essa recuperação de contratação. Agora em 2025 a gente já está assinando mais contratos, principalmente de data center, que é um tipo de demanda muito diferente daquilo que a gente estava acostumado”, conclui a presidente da ABEEólica, Elbia Gannoum.

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