Embraer


              Enquanto tarifaço dos EUA não cai, Embraer pode perder US$ 80 mi


Marcello Sigwalt

Enquanto o tarifaço aplicado por Trump contra a economia nacional, em agosto último, persistir, a Embraer calcula em, pelo menos, US$ 80 milhões (equivalente ao lucro líquido da empresa no segundo trimestre deste ano), o prejuízo com a medida, que pode acarretar, inclusive, cancelamentos de pedidos de aeronaves da fabricante brasileira. A estimativa é de que o custo adicional por avião deverá exceder US$ 2 milhões. 

A previsão reversa, foi feita durante a realização da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, pelo presidente-executivo da empresa, Francisco Gomes Neto, ao ponderar que a sanção ianque também deve afetar a economia ianque. “Por enquanto, não temos nenhum problema de cancelamento, mas, no médio prazo, isso pode acontecer”, acrescentando que, “se produzirmos menos aviões, compraremos menos equipamentos dos Estados Unidos. É por isso que o fim das tarifas é importante”.

Mesmo que, a princípio, seus produtos e peças tenham contado com isenção das sobretaxas estadunidenses, a fabricante brasileira ainda se ressente da manutenção de barreiras comerciais. Independentemente do desfecho da tempestade comercial de ‘Tio Sam’, a Embraer ostenta hoje uma carteira de pedidos de US$ 31 bilhões, considerado por analistas o maior patamar do indicador em nove anos.

 A despeito da ‘exuberância’ desse montante, os planos de investimento da fabricante aeronáutica tupiniquim, caso o tarifaço continue como está, poderão superar os US$  500 milhões, referentes à nova linha de montagem a ser implantada nos EUA, o que permitiria a criação de 2,5 mil empregos, caso se confirme a escolha do cargueiro militar KC-390 pela Casa Branca. Isso sem contar com outros US$ 500 milhões, a serem investidos na expansão das fábricas no país, pelos próximos cinco anos.

Enquanto a incerteza persiste, sinalização positiva vem do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que acaba de aprovar um montante de R$ 1,7 bilhão para a Embraer (via BNDES Exim Pós-Embarque), a título de financiamento parar exportação de 13 jatos E-175 da fabricante nacional à SkyWest Airlines, com entregas previstas para o intervalo entre o quarto trimestre deste ano  e o final do próximo.

Maior cliente da Embraer nos últimos anos, a SkyWest é também a maior operadora mundial do modelo E-175, atualmente com 265 aeronaves, frota que deve subir para 279 unidades até o fim de 2026. Ao todo, segundo estimou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco de fomento já financiou US$ 26,7 bilhões em exportações de mais de 1.350 aeronaves da Embraer.

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