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Aperto monetário e desindustrialização comprometem produtividade


Marcello Sigwalt

Produtividade estagnada, taxa de investimento em queda livre, mas inflação minguando a ‘conta-gotas’ (5,1% no acumulado em 12 meses), enquanto a taxa básica de juros (Selic) segue, firme, no nada invejável patamar de 15% ao ano, ou a uma taxa real de juros de 9,51%, a segunda maior do planeta.

Indicador básico para medir o crescimento da economia, numa trajetória que se assemelha a uma ‘montanha russa’, a produtividade tupiniquim, além de exibir tênue avanço de 0,3% no segundo trimestre deste ano, amargou recuo de 0,4% ante o trimestre anterior.

FatoresEsse estado de estagnação reflete fatores diversos, como tecnologia defasada (ante seus pares internacionais); desindustrialização (participação da indústria despencou de 27,3% do PIB, nos anos 80, para apenas 10,8%, em 2023, atestando a perda externa de competitividade tecnológica do setor); mas também decorre de uma infraestrutura precária (que eleva custos de produção) e baixa escolaridade da população (39% dos trabalhadores não possuem ensino fundamental completo). Carro-chefe do setor, a indústria de transformação baixou 0,8% no ano passado, marcando o quinto ano de queda consecutiva.

Já no contexto do mercado, pesam contra a eficiência econômica de 'Pindorama' o chamado “Custo Brasil” (que desestimula o investimento e a inovação) e a insegurança jurídica (incerteza sobre as regras do mercado).

Desajuste fiscal - Como já enfatizado em artigos anteriores, neste blog, o desequilíbrio das contas públicas é determinante para tal quadro macroeconômico adverso recorrente, uma vez que o persistente desajuste fiscal (despesas superam, em muito, a arrecadação), está indexado à decisão política da gestão federal atual, de abusar de medidas assistencialistas e perdulárias, a serem financiadas pelo Tesouro Nacional, ou seja, pela população brasileira, como meta (única e obsessiva) de se manter no poder, nas eleições do próximo ano.

Sintoma desse descontrole voluntário e impune é o fato de a carga tributária nacional, em ascensão, atinge 32,3% do PIB. Isto significa dizer que o brasileiro trabalha quatro dos 12 meses do ano só para pagar impostos, a título de manter uma injustificada e obesa máquina pública.  

'Antídoto?'Como antídoto para esse descalabro, duramente financiado pelo trabalhador, analistas e economistas apontam: a adoção de reformas, com vistas ao aumento da eficiência da economia, incentivos à inovação, além da implantação de uma reforma tributária que implique a simplificação do ambiente de negócios e alavanque o investimento.

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