Estabilização da dívida
federal
exigirá ajuste de
R$ 500 bi
Essa é a ‘conta’ do resgate da responsabilidade fiscal
senado.leg.br
Marcello Sigwalt
Uma ‘montanha’ de
dinheiro que beira R$ 500 bilhões. Essa é a estimativa do custo (aproximadamente
4% do PIB) da estabilização da dívida pública tupiniquim, aponta relatório do
suíço UBS Global Wealth Management, assinado pela diretora de macroeconomia
para o Brasil, Solange Srour.
Partindo do pressuposto
que tal meta volte a ser prioridade de governo, qualquer que seja ele, sua
conquista só será atingida após sucessivas gerações de brazucas, mediante a
produção em série de improváveis superávits fiscais.
Àqueles que
consideram que essa afirmação ‘peca pelo excesso’, basta afirmar que a
mencionada dívida (que é de todos nós) cresceu estratosféricos 365% nos últimos
15 anos, quando passou de 51,2% do PIB, em 2011, para os atuais 80% do PIB, e
continua, célere, rumo aos 100% do PIB já, já, no ano que vem, o primeiro do próximo
governo, projeta o insuspeitável e pragmático FMI (Fundo Monetário
Internacional).
Mais leniente (ou mais
otimista?), o Planalto projeta que isso só deverá ocorrer em 2030. Já a IFI
(Instituição Fiscal Independente), vinculada ao Senado federal, trabalha com o
prazo de 2028.
Na contramão da alegação, no mínimo, irresponsável, sobretudo por parte de setores chamados ‘progressistas’ ou de esquerda (de que o patamar de endividamento
citado seria frequente em países ricos), importa esclarecer que economias desenvolvidas
costumam emitir dívida em sua própria moeda (dólar, iene e euro) e com base em
taxas de juros historicamente baixas, o que lhes permite rolar débitos sem
risco imediato de calote.
Em contraste, países em
desenvolvimento se endividam em moedas fortes – que os deixa vulneráveis e
eventuais choques cambiais – além de enfrentarem, como é o caso brasileiro, juros elevados contínuos.
Sobre as simulações de
que um hipotético cenário de juros nominais de 10% demandaria um esforço fiscal
de 2,2% do PIB – que saltaria para 3,4% do PIB, no caso de um juro nominal de
12% – o relatório do UBS comenta que “esses números ajudam a contextualizar a
dificuldade estrutural enfrentada pela economia brasileira. Em um ambiente de
juros reais elevados, pequenas deteriorações fiscais tendem a produzir dinâmica
rapidamente desfavorável da dívida pública. Ao mesmo tempo, reduções
persistentes do prêmio exigido pelo mercado possuem capacidade relevante de
diminuir o esforço necessário para estabilização da dívida”.

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